Com uma diferença gritante de estilo em relação a maioria das bandas do underground nacional, os cariocas do Cinedisco brincam de fazer música. Mesclando vários estilos musicais em seu som e utilizando efeitos de teclados, samplers e até brinquedos infantis, a banda acabou se destacando na cena principalmente pela criatividade. Em nossa conversa, o sexteto, que conta com Victor (vocal), Dedé (baixo), Fernando (bateria), Lelê (guitarra) Mateus (guitarra) e Pezinho (teclado, brinquedos, efeitos), fala sobre a formação da banda, sobre a tour com o Deluxe Trio e sobre a recente participação no programa Tramavirtual do Multishow.
Como se conheceram e como formaram a
Cinedisco?
O Rio de janeiro
parece uma cidade maior do que é hahahaahha. Mas na verdade
sempre frequentamos o mesmo círculo de músicos. Claro
que a afinidade por um estilo no início da banda foi
fundamental para nos juntarmos, visto que não éramos
muito amigos antes da banda. A intenção era fazer
algo criativo e melódico. A banda cresceu e o conceito
também. Nem por isso ficou mais complicado. Mas passamos a
abrigar novos elementos (brinquedos infantis alterados, teclados,
samplers) e novos estilos (acho que hoje todos escutam
além de rock, muita coisa como jazz ou estilos de
fundamentação estilística
contemporânea).
_Como ocorreu o processo de produção e
composição do disco 'Livros, discos, filmes e um
pouco do delírio cotidiano'?
Rápido.
Com três meses de banda gravamos uma
pré-produção, mais um ou dois meses
estávamos em estúdio gravando 14
canções. Começaram todas muito simples, mas
com o estúdio ganhamos oportunidades de usar novos arranjos
por cima das bases, experimentar as maluquices que pareciam
impossíveis antes, com isso passamos a testar muitas coisas
e nos relacionar com o movimento do Circuit Bent. O
estúdio é sempre fundamental na nossa
criação. Somos muitos. É um lugar onde todos
podem se ouvir melhor e adicionar o quanto acharem
necessário. Depois o produtor usa o que quiser.
_Qual a relação da banda com a
internet?
A internet
é o veículo primeiro e fundamental tanto nas nossas
pesquisas musicais como na venda e distribuição de
coisas relacionadas a banda, como CDs, DVDs, chaveiros,
adesivos, aquaplays, mouse pads, etc.
_E como está sendo a turnê com o
Deluxe Trio?
Maravilhosa.
Viajar com amigos é a melhor coisa. Nos respeitamos muito.
É como se fossemos um grupo só na estrada. A
integração é total. O Bil é nosso
produtor, o Guta meu primo e o Ricardo nosso amigo e guarda-costas
hahahahhahaha. Não há como não dar certo. O
público parece gostar já que existe uma
interceção intelectual e conceitual entre as bandas.
RJ - Chicago - Washington - 90 - 00´s
Rock-Pop-Experimental.
_Vocês recentemente, participaram do programa
do 'Tramavirtual', gravando a música 'Quando Você
Saiu'. Que aspecto proveitoso vocês tiraram dessa
experiência?
Todos. Aquele
estúdio é sensacional. O Abbey Road brasileiro. A
Trama toda tem um ambiente maravilhoso. Seria uma grande honra e
prazer gravar um disco todo, lá rodeado dessas pessoas
que acrescentam tanto socialmente como musicalmente a qualquer ser
humano. É uma gravadora muito especial.
_Qual a coisa mais inusitada ou engraçada que já
aconteceu num show de vocês?
Engraçada
tem todo dia. Somos cinco retardados e o Mateus organizando, sem
ele nada seria possível. Inusitada. Lembro de um show em
Ponta Grossa. Adoro esse show ahahhahahahaahahah. Éramos uma
das últimas bandas a tocar e o equipamento foi saindo do
palco e piorando a cada show ahhahahahahah. Começamos a
improvisar algo e as pessoas, que não existiam até
então, começaram a entrar. Quando o show
começou tinha uma galera por causa desse som louco que
estávamos fazendo. Parecia a coisa certa.
_De que forma a Urubuz Records conheceu o trabalho de
vocês?
Voltando de
carona com o Márcio, dono do selo, ele se interessou pelo
trabalho. A partir de então o diálogo começou.
E DVD na mão! ahhahahahaha
_Como vocês avaliam a cena underground
atualmente?
Tem muita gente
fazendo coisas boas no mundo todo, é só pesquisar.
Sempre vão ter os loucos pelo sucesso. Só se afastar
deles! hahahahahahahahah. Acho que eles deviam tentar
"Malhação" ou "A praça é nossa".
Música é um tipo de arte. Quando vamos assumir
isso?
Seg 05 Mai 2008 00:13