Eles começaram a tocar juntos em 98, mas foi só
no ano 2000 que receberam o nome que levam até hoje,
já têm três CDs lançados e foram uma das
primeiras bandas de hardcore a cantarem em português. Os
entrevistados da vez são os cariocas da banda Emoponto que
atualmente conta com o Tuirow (vocal e guitarra), Daniel (bateria),
Ingo (baixo) e Marcelão (guitarra). Em nossa conversa o
vocalista Eduardo Tuírow fala sobre o inicio da banda, sobre
a experiência da gravação do DVD do Multishow e
sobre o recém lançado CD digital. Confira!
_Quando e como começou o Emoponto?
Começou no final de 98 quando uns amigos se
juntaram pra tocar músicas das bandas que curtiam
(Descendents, Blink 182, Face to Face entre outras várias) e
logo em seguida criar as próprias composições.
Eu lembro que quase todas as bandas da época que tinham
essas influências, e eram bem poucas, cantavam em
inglês. Quando eu entrei no Emoponto (maio de 99) eu
até achei estranho o fato de cantar em português.
Engraçado que hoje em dia isso é comum, e o
contrário é que é visto com estranheza.
_Vocês acabaram de lançar um CD em formato digital,
além de terem várias músicas
disponíveis para download no TramaVirtual. Como avaliam esse
lado 'internauta' da banda?
A
internet sempre foi o meio de divulgação que mais nos
ajudou. Desde que se tornou possível, aqui no Brasil,
colocar e baixar músicas na internet, a gente se utilizou
dessa ferramenta. Antes era na base da fita K7 e na
divulgação via carta e resenhas em zines. Acho que
é o canal mais direto, com mais liberdade de
expressão e certamente com menos custo para se divulgar
a sua música, então se encaixou bem com a nossa
realidade. O lado internauta da banda então sempre existiu e
foi predominante. Nosso fotolog e orkut já devem ter umas 5
velinhas no bolo e nossas mp3's mais antigas já estão
na internet ha mais tempo ainda, por isso resolvemos reunir
todas elas no TramaVirtual, o que ajudou bastante a gente e
também quem gosta do nosso trabalho. Com o cd novo
não poderia ser diferente, é só acessar
http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=11359 que ele está inteiro pra
download.
_Em 2006, vocês gravaram o DVD '0Km', produzido pelo
canal de tv Multishow. Como foi essa
experiência?
A gente
já tinha tocado 2 vezes no Canecão e foram
inacreditáveis, mas quando recebemos o convite de participar
desse projeto ficamos novamente amarradões em poder tocar
lá novamente e principalmente por poder
participar de um projeto que, além de ser para um
programa de um grande canal, também viraria um DVD.
Além disso, as bandas que tocaram com a gente (Ramirez,
Dibob, Seu Cuca e Luxúria) eram bandas que, além de
amigas, estavam de certa forma na mesma correria que a gente.
Agradeço a tecnologia, que nessas horas mostra o seu lado
útil, por permitir a captação das imagens e
a possibilidade da criação de uma
memória visual e sonora daquele momento.
_O último single e hit da banda, 'Rayana', foi inspirado no
quê?
Rayana
foi uma música que comecei a escrever sem nenhuma
intenção de que fosse para o Emoponto. Um dia os
caras da banda ouviram e acharam legal a música, mas
disseram que tinha mais a ver até com o Raimundos. E
realmente eles ouviram, curtiram e chegaram a cogitar
gravá-la, mas acabou não rolando. Ela não tem
uma personagem que a inspire, mas sim um tipo de comportamento bem
comum que eu tentei retratar. De uma maneira cômica e
apelando para os palavrões ela diz que nem tudo aquilo que
as pessoas acham que estão fazendo para o nosso bem é
o que vai nos fazer melhor ou é o que precisamos no
momento. Nunca achem que todos querem o que você quer.
Ela é uma música em prol da alteridade, se é
que eu posso falar algo sério de uma música que de
sério não tem nada.
_E o DVD 'A História Definitiva', já está
pronto? Foi quanto tempo de trampo?
Esse
DVD é um projeto do Daniel, baterista da banda, e acabou se
tornando maior do que o que fora pensado inicialmente. Por isso,
ainda não está completamente editado, mas as
entrevistas todas já foram feitas. Durante esse
último ano eu sei que muita gente foi entrevistada,
muita gente mesmo. Sobre o conteúdo, a grande verdade
é que eu também só vi o que todo mundo
já viu, que foi o trailer disponibilizado no youtube
http://www.youtube.com/watch?v=UDevivph2z4 e também estou na expectativa de
ver o resultado final.
_Em 2004, o álbum 'Melhores Dias', foi lançado
pela EMI. Porque acham que essa parceria não
vingou?
O fato
principal de toda a história é que a gestão da
EMI que nos contratou foi substituída quando
substituíram o presidente da companhia; o famoso efeito
dominó. A nova gestão não conhecia a
gente, não tinha "descoberto" a gente, ido a shows, assinado
contrato etc. A gente acabou ficando obsoleto na companhia antes
mesmo de ser projetado. Não dá pra saber se teria
dado certo ou não se tudo corresse de acordo com o
planejado, mas pela conjuntura do mercado fonográfico e do
papel e atuação das gravadoras nessa última
década a gente tem um panorama de como andam os
negócios musicais.
_Depois que 'emocore' chegou ao Brasil, o Emoponto sofreu
muitas críticas?
A
princípio "sofreu" alguns elogios, mas depois que o
estereótipo foi se formando, aí começaram as
críticas. Devido ao nome (dado em 2000 a partir de uma
música do Blink 182) a banda foi cada vez mais colocada como
um dos expoentes desse "movimento", "estilo" ou "cena". A gente
nunca se viu como tal e nunca se vestiu como tal,
mas se eu também visse de fora uma banda chamada Emoponto,
que canta músicas sobre relacionamentos, eu também
acharia que era farinha do mesmo saco. De qualquer forma não
foi nada traumático e que não desse pra ser levado
sempre na brincadeira pelos quatro da banda.
_Qual foi o maior perrengue e a maior alegria desses anos de
estrada?
Acho
que cada um deve ter o seu momento de maior perrengue e maior
alegria. Na minha opinião, o maior perrengue foi a nossa
tour pelo nordeste. A galera do Carbona, que tava com a gente, pode
confirmar. Entre outras aconteceu de não ter a passagem de
volta garantida, de quererem colocar quatro bandas numa van de 12
lugares, de ficarmos num motel em salvador com marca de bala na
janela, alta rotatividade de clientela e num bairro que se chamava
algo tipo "boca do rato", tocar com amplificador do tamanho de uma
caixa de sapato entre várias outras histórias. A
maior alegria na minha opinião foi tocar no Hangar cheio,
com todo mundo cantando Seu Retrato nas alturas. Papo de arrepio
que não dá pra explicar e que faz valer a pena
qualquer tipo de perrengue.
_Qual vocês acham que vai ser o 'legado' que o Emoponto vai
deixar?
Acho
que o legado quem vai dizer é o tempo, a partir das
consequentes leituras que fizerem do nosso trabalho, da nossa
trajetória e do nosso papel no rock brasileiro dos anos
2000. É difícil falar sobre isso. A gente
começou numa época que o punk rock era um som de uma
minoria e poucas eram as bandas que existiam. Lembro que os shows
que mais bombavam no Rio davam 300 pessoas e eram tidos como
lotados e bem sucedidos. A gente acompanhou o crescimento de
bandas como CPM22 e Dead Fish entre outras, e
também conseguimos assinar com uma gravadora em uma
época que isso ainda significava muita coisa. Mas eu acho
que antes dos fatos, o que deve ser determinante em
um legado, já que você usou essa palavra,
é a postura e a música em si. A minha certeza
é que nunca faltou sinceridade nas nossas músicas e
nem vontade de fazer sempre o melhor. A quem agradar a gente
agradece e a quem não agradar a gente sempre espera pelo
menos respeito, como em tudo na vida.